Eu não gosto de sentir dor. Não gosto de me sentir cansado. Ficar me lamentando que o estresse faz parte da rotina e que não tenho tempo de fazer o que eu realmente queria. Quer dizer, eu faço o que eu quero. Eu gosto de trabalhar com o que trabalho. Mas não é isso.

Sentir dor, cansaço, estimula pensamentos negativos – pelo menos em mim. Eu fico pensando em desistir das coisas, desistir dos passos que a gente sempre tem que dar, desistir de seguir em frente com tudo e esquecer os problemas. Vêm ideias que parecem muito mais fáceis de aceitar. Novas ideias. Ideias que seriam incríveis, se todos dessem valor a elas.

A gente pensa em desistir do amor, das amizades, da rotina. Quer estar em um café com um bom livro todo final de tarde e lembrar que sua única preocupação é acabar de escrever aquele capítulo da nova história que planejou por dias. A gente pensa em fazer tanta coisa que não pode. O sonho americano, eu diria.

Mas as obrigações sempre vêm primeiro. Elas são a base da sua vida. São o que paga sua faculdade, sua internet, sua comida e sua cerveja. São as obrigações que fazem você acreditar que, um dia, você não vai precisar mais delas. São as obrigações que levam sua mente a acordar cedo e passar o dia fora, trabalhando, torcendo para chegar em casa, tirar os sapatos e fazer algo de produtivo dos seus planos fora do trabalho.

Mas você não consegue.

Porque sente dor. Porque está cansado. Porque seu sonho não parece perto de se realizar. Porque o mundo não é cor de rosa. Porque as pessoas são pessoas. Porque o caos se instala em qualquer lugar, inclusive nas suas costas. Porque a dor e o cansaço fazem você esquecer e lembrar automática e simultaneamente de absolutamente tudo o que você tem que fazer.

E voltamos à estaca zero.

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