eu lembro das nossas voltas no quebra-mar
das ondas lavando o pó dos pés
dos cavalos de Poseidon morrendo na areia
das cervejas e beijos à luz do luar

a gente conversava besteira e falava da vida – nossa e alheia
perdi as contas dos planos noturnos que fizemos
já não sabia se quem bagunçava cabelo e barba eram os beijos ou o vento
mas queria ter de novo teus dentes em minhas orelhas

não tem astrologia ou anatomia que explique
quanto mais uma noite estrelada
se a saudade não fosse dolorida
seria burrice não pedir “pelo amor, fique!”

carne, suor, cansaço e preguiça
na neblina dos espelhos da escuridão do oceano
a maresia se revela letras num romance clássico
o abraço vira uma qualquer, e necessária, premissa

se um dia você voltar, e isso tem que acontecer
eu quero que o mar nos lave
nos beije e nos faça belos, belas ou brinquedo de ondas
só pra no mar, com seu doce sal de amor, morrer

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