Recentemente, descobri que a alma escreve pelas nossas mãos. Eu vi o mundo girar, eu vi a água cair. Depois vi o mundo cair, vi a água girar, e, com palavras, realizar a magia que os seres humanos tanto sonham em realizar. Descobri que a alma tem textura, cor, cheiro e forma. Descobri que a alma tem magia.

Com o passar do tempo, o texto vai ganhando tamanho. Vai ganhando palavras novas e uma visão rebuscada de quem escreve. As histórias vão ganhando universos e personagens. Ou os universos e personagens estariam ganhando suas histórias? Esse turbilhão, essa bagunça, esse ninho de informações eu considero boas. Considero que me fazem crescer e fluir entre elas. Considero que me fazem criar e ser criado através das minhas próprias mãos, por influência da alma.

Veja bem: se sua essência fosse feita de palavras, quais seriam elas? A minha essência se chamaria “inclusão”, porque gosto de ver tudo se encaixando direitinho nas histórias. Ou seriam as histórias se encaixando em tudo? Enfim… inclusão. Ato de incluir. Ato de colocar; de adaptar.

A gente tem que estar disposto a se adaptar mesmo. Procurar maneiras de achar espaços onde não deveria ter. Adicionar, com naturalidade, realidade à ficção. Tem isso na minha essência; é isso que minha alma quer. E eu sempre sinto que se não cumprir esse desejo da alma de querer criar mundos novos, pessoas novas, momentos novos, o corpo morre. E se o corpo morrer, a alma procura outro corpo que a ajude a criar, mesmo que não tenha nada parecido com o anterior.

Veja bem que até a alma nos substitui. É um ciclo. Ela sai de você, passa adiante e o de adiante vai aprendendo para passar adiante mais uma vez. Daí nasce o questionamento de “se eu não escrever nada agora, meu corpo pode morrer e minha alma, ir embora?”

E eu, pleno, me digo que “se você seguir em frente, a alma se demora.”

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