Uma das delícias de morar sozinho é ter o que você quiser dentro de casa. E foi assim que comecei a jornada de criar suculentas – plantas cujas raiz, talo e/ou folhas engrossaram naturalmente para garantir o armazenamento de água. Para quem mora em apartamentos, a moda agora é criá-las em tamanho reduzido e isso nos exige alguns cuidados especiais.

Mas adivinhem quem não tomou direito esses cuidados? Eu mesmo.

A aquisição mais recente, uma echeveria do tipo Glauca — a qual dei o nome de Shirley — começou a apresentar folhas amareladas e murchas demais. Praticamente todos os dias eu removia do vasinho os restos dessas folhas e isso estava me preocupando.

A mãe Internet, como toda boa mãe, sabe tudo, então pesquisei e descobri que, mesmo estando em um local iluminado do apartamento, a Shirley precisava de mais luz e menos água. Então decidi colocá-la na janela, na beirinha mesmo, onde tinha certeza de que receberia melhor os raios do sol.

Quem disse que eu fico em paz com essa ideia?

Morro de medo de a coitada cair lá em baixo, no beco entre os apartamentos que ninguém — que não seja um bom contorcionista — tem acesso. É um remorso de pai, sabe? Medo de deixar ela sozinha num lugar tão perigoso. Porque se ela cair, não vai ser muito fácil recuperar.

Pelo menos ela estará num local mais ensolarado e que vai fazê-la crescer mais saudável. Só espero não chegar em casa qualquer dia e encontrar… ou melhor, não encontrar ela no lugar onde deixei. Só de pensar o peito aperta. Mas a gente tem que aprender a confiar nos filhos, não é?

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