Eu tenho 20 anos e nunca havia saído do Ceará. Dizia, brincando, que o mais longe que já havia ido era Quixadá. E nesse final de semana fui para Teresina – PI. Há todo um nervosismo envolvido nessa viagem, a começar pelo lançamento do meu primeiro livro, Magos da Música, que, por motivos de força maior, só está acontecendo em outro estado dois anos depois de ter sido lançado no Ceará.

O nervosismo desse lançamento foi o mesmo nervosismo de 2014, na minha cidade natal, para um publico de mais de 200 pessoas — isso, no interior, é uma quantidade grande em se tratando de lançamentos de livros. Somado ao de estar saindo pela primeira vez da sua zona de conforto, esse nervosismo fez com que tudo parecesse como da primeira vez, só que em um lugar completamente diferente; um lugar novo pra mim.

É algo pessoal. Você está acostumado a falar com determinado público sobre determinado assunto e sempre falará da mesma coisa — claro que agregando alguns pontos no decorrer da trajetória —, então falará disso em qualquer lugar. Mas aquela insegurança de nunca ter saído da cultura que você conhece e tem afinidade te toma e te assusta, e se você não relaxar e parar para conhecer algumas coisas daquele espaço, comprometerá o andamento do seu projeto.

Por outro lado, e tomando foco, experimentar algo novo é sempre importante. Eu saí da zona de conforto e fui passear um pouco. Conheci a cidade, conheci pessoas e conheci ideias; tudo isso me ajudou a ter uma noção do que eu poderia enquadrar no contexto das minhas palavras. Isso é preparação.

Para um escritor, ter uma nova experiência significa uma alternativa a mais sobre a qual escrever. Temos novos cenários, novos pensamentos, novos ideais e adquirimos a capacidade de pensar personagens diferentes. Já em termos de crescimento profissional, há a oportunidade de alavancar um pouco a carreira mantendo contato com outros autores e registrando esses momentos com boas conversas. Mais um ponto positivo das descobertas da vida.

É essencial, também, não deixar o orgulho tomar conta de você. Costumo dizer que ser sincero pode ajudar muito na hora de falar em público. Expressar seus sentimentos naquele momento é construir uma linha de confiança com as pessoas que estão ao seu redor, dispostas a lhe ouvir e lhe falar também, afinal tudo acaba se tornando um belo bate-papo.

Certamente outras experiências novas irão surgir, mas entende-se que está tudo bem. Afinal, está mesmo tudo bem. Está tudo bem em adquirir conhecimento. Está tudo bem em adquirir novas opiniões, novos processos, novas alternativas. Está tudo bem em sair de casa, da cidade, do estado e do país, pois, muitas vezes, lá fora podemos ter mais visibilidade. Isso vale a pena.

É como gostar da comida que sua mãe faz, mas gostar também da comida que a mãe do seu amigo, sua tia ou mesmo sua avó faz. Alguém vai gostar do que você faz e vai ter uma opinião diferente do que outras pessoas, envolvidas na sua mesma área, fazem.

Honestamente, antes de todo resultado vem o nervosismo e isso é inevitável. A única coisa que dá para evitar — deve-se evitar, na verdade — é o alimento dele. Deixar o receio crescer e lhe dominar pode ser o maior dos erros, portanto é importante que se esteja realmente preparado para deixar tudo fluir e “mandar ver” no que tiver para falar.

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